Histórias de mochileiro…
Sem dinheiro em Buenos Aires

Viajar é sempre uma aventura, ainda mais se não houver o planejamento adequado. André Taka conta como foi pedir dinheiro no Ezeiza, o maior aeroporto de Buenos
Na primeira vez à Buenos Aires fui com pouco dinheiro ainda não falava espanhol e não me informei muito sobre a viagem porque decidi meio em cima da hora.
Bom, a viagem em si foi ótima, tive alguns percalços, entrei numas roubadas, mas fiz amizades, conheci a cultura portenha e me apaixonei pela hermosísima Buenos Aires. Na hora de ir embora, dividi um táxi com um cara que conheci e fiz amizade no albergue e beleza, ele ia pela Aerolíneas e eu pela Gol.
Chegamos ao Ezeiza e combinamos fazer o check in e nos encontrarmos para o último café com medialuna na Argentina.
Bom, ao despachar minha mochila fui informado pela atendente que teria que pagar uma nova taxa de embarque cobrada pelo aeroporto – U$ 18,00!
Bom, resolvi fazer o seguinte, fui ao encontro do meu colega e pediria emprestado para pagá-lo no Brasil. Sem erro. Quando nos encontramos, a primeira coisa que ele me perguntou foi – “Você tem U$ 20,00 para me emprestar?”. Pronto, começou a bater o desespero.
Não tínhamos dinheiro. O que fazer? Fizemos o seguinte, começamos a entrar nas lojas de conveniência para passarmos o cartão de crédito dele e nos devolverem em dinheiro, mas ninguém aceitava. Entramos – juro -, em todas as lojas e nada. Perguntamos aos responsáveis no aeroporto o que poderíamos fazer e a resposta foi um gesto com os ombros como quem quer dizer – “não faço idéia”.
Pensamos em tocar alguma coisa para ver se alguém jogava um dinheiro, mas não tínhamos violão e era mais fácil nos expulsarem do aeroporto.
A solução era começar a pedir para os passageiros no aeroporto, na maior cara de pau…e pior, sóbrios!!! …e aí fomos nós, “mendigar”. Argentinos, europeus, brasileiros, tentamos de tudo…e ninguém se coçava…(também, quem vai emprestar dinheiro assim para dois desconhecidos???!!!). O horário de embarque estava chegando e víamos que pegar o avião estava se tornando um sonho, teríamos que passar mais uma noite lá, pedirmos para mandarem dinheiro para outras passagens, para comer, dormir, etc… Então, de repente, um casal de jovens brasileiros perguntou o que havia acontecido e nós contamos… (quase aos prantos, mas isso ninguém precisa saber…). Por coincidência eles tinham nos visto no albergue e resolveram nos emprestar os US$ 18,00 para cada para pagarmos quando chegarmos no Brasil (ô solidariedade brasileira!!!).
Pronto, dinheiro no bolso, taxas pagas e tudo resolvido…pena que não deu tempo de tomar aquele último café… mas isso ficou para outra viagem…
André Taka é advogado, mochileiro, colaborador da revista Mochilagem e mantém o blog www.profissaomochileiro.wordpress.com
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Natal de um mochileiro na Colômbia
Wilson e a namorada trocaram a tradicional ceia de natal por uma aventura na Colômbia.O resultado? Boas lembranças.
Acordamos com um intuito, ir ao Castelo de San Felipe, o maior castelo militar construído pelos espanhóis nas Américas, e ao Convento La Popa, o local mais alto e com a melhor vista de Cartagena.
Para tanto precisávamos trocar dólares, infelizmente nos esquecemos da data e por ser véspera de natal, levamos quase 3 horas caminhando para encontrar uma casa de câmbio aberta.
Com a proximidade do vôo para Bogotá decidimos cancelar a ida nesses lugares, comer algo e fazer o melhor que Cartagena tem para oferecer, caminhar pelo Centro Histórico.
Mais de 1000 fotos de Cartagena e seguimos de volta ao hotel para preparar a saída para o aeroporto.
Táxi encontrado e rumando para o aeroporto, pela primeira vez nessa viagem partimos com pesar. Não pensando nas cidades que virão, mas na cidade que deixamos para trás. De tudo, uma certeza: um dia voltarei a Cartagena; e uma recomendação: se tiverem oportunidade, não deixem de visitar essa cidade.
Esqueçam as FARC, esqueçam a propaganda ruim que é feita da Colômbia e do tráfico. Acreditem dia na vida de vocês, visitem a cidade de Cartagena.
No aeroporto, tudo certo para o embarque e somos adiantados para um vôo um pouco mais cedo.
Entramos no avião e seguimos para a capital da Colômbia, para uma visita rápida de menos de 24 horas.
E para todos aqueles que reclamam das barrinhas de cereais oferecidas pela Gol, saibam disso, a Avianca oferece uma bebida (suco, refrigerante, água ou café) e NADA MAIS!!!
Cerca de 1 hora depois chegamos ao aeroporto de Bogotá e de cara uma propaganda nos chama a atenção: “Colômbia, o único perigo é querer ficar.”. Sorrimos e temos a certeza de que a propaganda tem um grande fundo de verdade.
Táxi até o centro, hotel acertado, mochilas deixadas e seguimos a indicação do taxista que nos recomendou visitar o Teleférico de Montserrat, próximo ao hotel em que ficamos. Rumamos para lá a pé, mas no caminho uma chuva persistente e uma neblina forte no morro do teleférico nos fez desistir da idéia.
Por indicação de seguranças da “Universidade dos Andes” (que com um orgulho bonito de se ver, dizem se tratar da melhor universidade das Américas) pegamos um ônibus (bem no estilo dos de Curitiba) que circula por toda a cidade.
Numa primeira vista Bogotá não parece nada além de uma cidade grande, como tantas outras. Descemos na estação em que subimos e seguimos por uma avenida a procura de Internet e um local para comer. Como já estava de noite e era véspera de Natal, ficou difícil encontrar lugares abertos. Após andar bastante encontramos um Cyber aberto e na seqüência um restaurante pequeno, mas acolhedor.
Entramos e minha namorada pede Alcachofras Gratinadas e eu uma Lasanha. Infelizmente não me recordo o nome do restaurante. Mas tivemos sem dúvida alguma a MELHOR refeição de Natal da vida.
Wilson é mochileiro, colaborador da revista Mochilagem e escreve para o blog www.pensandonavida.wordpress.com
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Do Rio Grande ao Pantanal
Nossa viagem a Machu Picchu começou numa sexta-feira, dia 20/12/02, às 8h30. Saímos de Santa Maria (RS) num ônibus da Planalto Turismo, com o qual faríamos a conexão com outro da Eucatur, em Carazinho (RS). Chegamos atrasados, mas o ônibus que tínhamos que pegar demorou ainda mais. Foi lá que almoçamos.
O ônibus que seria nosso transporte até Campo Grande (MS) era mais um daqueles que fazem a ligação entre o Rio Grande do Sul e o Mato Grosso, cheio de parentes de pessoas que foram para lá plantar soja. O desconforto é inevitável numa viagem de mais de 24 horas.
No percurso, passamos pelo oeste de Santa Catarina, em cidades como São Miguel d’Oeste, São José do Cedro. No Paraná, entrando por Barracão, passamos por Cascavel, Toledo e Guaíra.
A fronteira com o Mato Grosso do Sul é marcada pela ponte fluvial mais longa da América Latina, que levou mais de década para ficar pronta. Como cada lado começou de um jeito, no meio ela se encontra e faz uma curva. Devia ser meia-noite quando passamos por lá.
Pela manhã, o café da manhã foi num posto de gasolina em Naviraí. Para quem sai do Sul, aqui começam os contrastes: índios nas margens da rodovia, muita simplicidade nos restaurantes, grandes extensões tão planas que o horizonte fica uma linha reta perfeita. E calor, muito calor…
Chegamos a Campo Grande (MS) ao meio-dia. Almoçamos na rodoviária mesmo, logo que encontramos o Giórgio, que tinha chegado de Floripa para se juntar ao grupo. Logo que comemos, procuramos o meio mais rápido e barato de ir para Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia.
Conseguimos uma passagem para as 15hs, numa viagem que duraria mais 6hs. Lembro que foi bem caro. Tenho aqui anotado que a passagem entre Santa Maria e Campo Grande custou R$ 90,00 e durou mais de 30hs, enquanto que aquela só duraria 6hs e custava R$ 42,00.
Pelo pouco tempo que tínhamos, o máximo que fizemos em Campo Grande foi dar umas voltas nos entornos da estação rodoviária (que por sinal não é um local muito agradável para se ficar – pequena, tumultuada, cheia de lojinhas e camelôs, quente). A passagem que compramos, junto à empresa Andorinha, dava direito a esperar numa “sala vip”.
O ônibus para Corumbá não tinha ar condicionado. Janelão aberto, sol a pino, o jeito era aproveitar a paisagem. Logo que se sai de Campo Grande, não tem muito o que ver. Em Miranda (MS), o ônibus pára para um lanche e aí já se podem ver turistas estrangeiros visitando o Pantanal. No trevo de Miranda, há um “monumento” com umas garças e tal, dizendo “Bem-vindo ao Pantanal”. Valeu uma foto, pelo menos.
A partir daí, a viagem se torna mais interessante. Como já era fim de tarde, podiam ser vistos jacarés pertinho do acostamento. Não tem poça d’água que não tenha algum bicho naquela região, sejam tuiuius, garças, veados ou os jacarés.
Alguns quilômetros antes de Corumbá, cruza-se uma ponte sobre o Rio Paraguai (que ao contrário do que muitos imaginam, não marca a fronteira internacional nesse ponto, pois geograficamente a região de Corumbá seria boliviana – politicamente é que acabou sendo brasileira).
Chegando em Corumbá, o que mais queríamos era tomar um banho, coisa que não tínhamos feito havia pelo menos 40hs.
André Cella é mochileiro, colaborador da revista Mochilagem e mantém o blog www.demochilao.blogspot.com
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Perdidos na tradução
Demos uma olhada no lugar de comida local simples. Muita comida, sim, mas nada que tenha realmente nos agradado. Queríamos algo familiar neste momento, mas não um simples arroz ou um prato de macarrão. “Gostaríamos de algo para comer ‘, disse a menina se aproximando de nós. Ela andou até uma espécie de tigela grande por trás dela e tirou a tampa, revelando a abundância de pequenas tigelas de sopa de galinha com a cabeça e as pernas saindo de dentro delas. Com nossos olhos fixos nos pequenos pedaços de frango exclamamos: “Sim, é isso que queremos!”após ela apontar para uma das tigelas.
Esperando à mesa pela nossa comida, estávamos satisfeitos por ter encontrado algo que sabíamos que íamos gostar. Em outro restaurante local em que estivemos antes nós não conseguimos nos deixar claro o que queríamos comer, sem entender uma palavra do chinês da mulher que nos atendeu. Ele não era muito convidativo de qualquer maneira e depois de ficarmos um pouco ali hesitantes por um tempo nós saímos para procurar outro lugar para comer.
‘Hmmm’ foi a nossa reação quando o cheiro da nossa sopa chegou alcançado nossos narizes. Cecile deu uma boa colherada e parou seu movimento abruptamente assim que a colher saiu da sopa. “O que é –?!’ Os caras na mesa perto de nós começaram a rir quando viram nossas expressões espantadas. Lá estava: um cérebro perfeitamente intacto, maior que o tamanho da colher que o tinha pescado para fora da tigela. Acho que tinha que voltar para a nossa atitude “em um país novo você deve experimentar o novo”. Ok bastante justo, mas eu não comecei a comer antes de destruiu o meu cérebro em pedaços pequenos tornando-o irreconhecível.
Comemos bravamente, mas não realmente empenhados no gosto, estávamos tentando adivinhar que tipo de cérebro era. Provavelmente, grande demais para um cérebro de galinha, mas definitivamente demasiado pequeno para o cérebro de uma vaca. Talvez de um porco? Eles dizem que são animais inteligentes. Fiz contato visual com a menina que nos servia, apontando para minha sopa e para o início da minha própria cabeça e exclamei: “oink oink! Eu recebi um ‘sim’, em resposta, juntamente com alguns risos de outras meninas em volta, mas até este momento ainda não estava muito certo se ela entendeu o que eu queria saber naquele momento. Apontei para alguns macarrões que uma garota estava fazendo em outra mesa de modo que tivemos um prato um pouco mais agradável com a nossa sopa de cérebro que deixamos pela metade. Depois que terminamos o nosso simples prato de macarrão deixamos o lugar.
“Vamos para um café”, um de nós disse ao andar pelas ruas. Nós esbarramos com um lugar onde outras pessoas estavam dando goles em suas bebidas. “Café?”Eu perguntei, esperando que a mulher que se virou para nós entenderia. ‘Café’, respondeu ela. Bom, ela entende! Levantei dois dedos para o ar e ela entendeu meu gesto. ‘ Sem leite e açúcar, por favor’ eu acrescentei antes que ela voltasse. Ah, bem, no mês passado aprendemos a beber nosso café quente com leite e açúcar adicionais de graça após nossos pedidos, nem sempre compreendidos, de café no sudeste da Ásia. “Exatamente o que queríamos!”Cecile exclamou quando a mulher nos serviu dois cafés com leite adoçados gelados. Até agora tudo bem depois de algumas horas na China…
Joris Boons é um mochileiro holandês e colaborador da revista Mochilagem.



